sexta-feira, 23 de outubro de 2026
MANCHETES

Novos roteiros turísticos no Amazonas ampliam opções de viagem além de Manaus

Novos roteiros turísticos no Amazonas estão sendo estruturados para diversificar a oferta de viagens no estado. As propostas incluem trilhas, observação de aves, gastronomia regional, turismo indígena, pesca esportiva e experiências conduzidas por comunidades locais.

Os novos roteiros turísticos no Amazonas começam a ampliar as opções para quem deseja conhecer o estado além dos passeios mais tradicionais de Manaus. As propostas em desenvolvimento combinam natureza, cultura, gastronomia regional, observação de aves, trilhas, produção agroecológica e vivências conduzidas por moradores das próprias comunidades.

A mudança acompanha uma estratégia de diversificação do turismo amazonense. Em vez de concentrar a experiência em poucos atrativos conhecidos, municípios e comunidades buscam organizar produtos turísticos capazes de distribuir visitantes, renda e oportunidades ao longo do ano. O movimento também aparece no Plano Estadual de Turismo 2026-2036, que estabelece diretrizes para estruturar destinos com diferentes níveis de maturidade. (amazonastur.am.gov.br)

O que está mudando no turismo do Amazonas

O Amazonas continua associado à floresta, aos rios e à biodiversidade, mas a oferta turística do estado passou a incluir experiências mais específicas. O visitante pode encontrar roteiros voltados à observação de aves, à pesca esportiva, à gastronomia amazônica, ao patrimônio cultural, às festas populares e ao contato direto com comunidades ribeirinhas e indígenas.

Esse processo depende da organização dos atrativos, da capacitação dos prestadores de serviço e da definição de regras para receber visitantes. Por isso, muitos roteiros ainda estão em fase de estruturação, diagnóstico ou validação. Uma experiência divulgada como novidade não significa necessariamente que já esteja disponível diariamente ou que conte com operação turística regular.

Em 2026, o governo estadual informou que 25 municípios foram homologados no novo Mapa do Turismo Brasileiro. A medida ajuda a identificar destinos com potencial turístico e a orientar ações de planejamento, promoção e qualificação, mas não substitui a confirmação direta sobre horários, transporte, hospedagem e disponibilidade de passeios. (amazonas.am.gov.br)

Parintins aposta em trilhas, aves e sabores da floresta

Parintins é um dos municípios que trabalham na criação de novas experiências além do Festival Folclórico. Em junho de 2026, a prefeitura discutiu com representantes de comunidades da Gleba Vila Amazônia a implantação do projeto “Encantos da Amazônia – Trilhas, Aves e Sabores da Floresta”.

A proposta envolve as comunidades de Jauari, Nova Olinda e Murituba e prevê atividades ligadas à observação de aves, trilhas ecológicas, gastronomia regional e práticas agroecológicas. O projeto foi apresentado pelos próprios comunitários e tem como objetivos valorizar a cultura local, estimular a conservação ambiental e criar alternativas de renda para as famílias.

Para o viajante, a ideia representa uma possibilidade de conhecer Parintins em períodos além da temporada do festival. No entanto, como a iniciativa ainda está sendo estruturada, é importante confirmar com os canais oficiais do município se há agenda de visitação, condutores disponíveis, transporte e alimentação incluídos no roteiro. (parintins.am.gov.br)

Turismo de base comunitária ganha espaço

O turismo de base comunitária coloca moradores locais no centro da operação. Eles podem atuar como condutores, barqueiros, cozinheiros, artesãos, anfitriões ou responsáveis por atividades culturais. A proposta é fazer com que parte maior do valor gerado pela visita permaneça no território e seja aplicada na própria comunidade.

No Amazonas, experiências desse tipo vêm sendo trabalhadas em áreas como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista e a Aldeia Beija-Flor, em Rio Preto da Eva. A Amazonastur tem realizado ações de ordenamento turístico e oficinas para apoiar a criação de roteiros sustentáveis, com participação das comunidades na definição das atividades e dos limites de visitação. (amazonastur.am.gov.br)

Na prática, isso pode significar uma viagem com grupos menores, alimentação preparada localmente, caminhadas acompanhadas por moradores, demonstrações de saberes tradicionais e explicações sobre o ambiente. A experiência costuma exigir mais flexibilidade do que um passeio urbano convencional, porque depende do nível do rio, das condições climáticas, da logística fluvial e da disponibilidade dos anfitriões.

Natureza, cultura e tecnologia no interior

A estruturação de novos roteiros também envolve pesquisa e tecnologia. Em janeiro de 2026, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas lançou um programa de apoio à inovação tecnológica voltada ao ecoturismo em comunidades do interior.

O edital prevê iniciativas relacionadas a ferramentas digitais, conectividade, capacitação, gestão de negócios, monitoramento ambiental, mobilidade sustentável, controle de fluxo de visitantes e soluções adaptadas a áreas com baixa conexão à internet. O objetivo é apoiar experiências turísticas sem desvinculá-las da preservação ambiental e da autonomia das comunidades.

Esse tipo de investimento pode ajudar a resolver problemas comuns em destinos remotos, como dificuldade de comunicação, ausência de informações atualizadas, pagamento limitado, falta de sinalização e pouca integração entre transporte, hospedagem e passeios. A disponibilidade desses recursos, porém, não significa que todas as soluções já estejam em funcionamento para o público. (fapeam.am.gov.br)

Roteiros que podem entrar no planejamento

Quem pretende viajar pelo Amazonas pode considerar diferentes perfis de roteiro, sempre verificando previamente a operação local.

  • Manaus e entorno: combinação de patrimônio histórico, gastronomia, museus, mercados, passeios fluviais e experiências em áreas de floresta próximas à capital.
  • Novo Airão e Anavilhanas: roteiros associados ao Rio Negro, ao Parque Nacional de Anavilhanas, à observação da natureza e a experiências comunitárias. A Embratur apresenta opções de itinerários de vários dias na região, com atividades de floresta, rios e contato cultural.
  • Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva: região conhecida por cachoeiras, rios, balneários, gastronomia e experiências vinculadas à natureza. A disponibilidade dos atrativos pode variar conforme a época do ano e as condições de acesso.
  • Parintins e Vila Amazônia: além do festival, o município trabalha na ampliação de experiências rurais, culturais e agroecológicas.
  • Barcelos: destino associado à pesca esportiva, ao ecoturismo e ao turismo de base comunitária. A atividade exige contratação de operadores experientes e atenção às regras ambientais.
  • Outros municípios do interior: destinos como Maués, Nhamundá, Tabatinga, Borba e comunidades distribuídas pelas calhas dos rios podem oferecer experiências específicas, mas a logística deve ser confirmada antes da compra.

Os exemplos não formam um pacote único nem indicam que todos os passeios estejam disponíveis o ano inteiro. O Amazonas tem grandes distâncias e forte dependência do transporte fluvial. Por isso, um roteiro precisa ser montado de acordo com o tempo de viagem, o orçamento e a infraestrutura existente em cada município. (embratur.com.br)

Como planejar uma viagem pelos novos roteiros

1. Defina o tipo de experiência

Antes de escolher o destino, decida se a prioridade é natureza, cultura, gastronomia, pesca, observação de aves, trilhas ou descanso. Essa definição ajuda a selecionar o município e o período mais adequado. Quem busca praias de rio, por exemplo, precisa verificar o regime das águas; quem deseja observar aves deve perguntar sobre o melhor horário e a duração das caminhadas.

2. Confirme se o roteiro está operando

Projetos turísticos podem estar em fase de planejamento, teste ou divulgação. Confirme diretamente com a secretaria municipal de turismo, associação comunitária, pousada ou agência responsável se o passeio está disponível na data desejada. Pergunte também sobre número mínimo de pessoas, duração, ponto de encontro, alimentação, transporte e política de cancelamento.

3. Contrate prestadores regularizados

Para reduzir riscos, procure empresas, guias, condutores e embarcações que apresentem informações claras sobre o serviço. O Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos, conhecido como Cadastur, pode ser consultado para verificar prestadores registrados em atividades abrangidas pelo sistema. A regularização não elimina todos os riscos, mas contribui para uma contratação mais transparente.

4. Considere a logística fluvial

Em muitos destinos, o deslocamento faz parte da própria experiência. Viagens de barco podem levar horas ou exigir conexão entre diferentes embarcações. Confirme o local de embarque, a duração do trajeto, a necessidade de pernoite e o tipo de acomodação. Também é recomendável ter margem de tempo para atrasos causados por chuva, nível dos rios ou mudanças operacionais.

5. Leve dinheiro e comunicação alternativa

Áreas remotas podem ter sinal de celular instável e poucos estabelecimentos que aceitam cartão. Pergunte antes quais meios de pagamento estão disponíveis. Leve documentos, medicamentos de uso contínuo, repelente, protetor solar, roupas leves, calçado adequado, capa de chuva e uma pequena lanterna. A lista deve ser adaptada ao tipo de passeio e à duração da viagem.

Cuidados para um turismo responsável

Visitar uma comunidade não significa ter acesso irrestrito à rotina dos moradores. O turista deve respeitar orientações sobre fotografias, circulação, vestimentas, horários, objetos culturais e áreas de uso restrito. Em comunidades indígenas ou tradicionais, a autorização e o acompanhamento local são indispensáveis quando exigidos pelos responsáveis pelo território.

Também é importante evitar retirar plantas, animais, sementes, pedras ou peças culturais da natureza e das comunidades. O lixo deve retornar com o visitante quando não houver sistema local de coleta. O uso de protetor solar, repelente e outros produtos deve considerar a possibilidade de contato com rios e lagos.

O turismo de natureza depende de limites. Grupos muito grandes, ruído excessivo, alimentação inadequada de animais e circulação fora das trilhas podem prejudicar os ambientes visitados. Escolher operadores que expliquem regras de conduta e informem como a atividade beneficia a comunidade é uma forma de apoiar um modelo mais sustentável.

Onde buscar informações

As informações mais confiáveis devem ser obtidas nos canais da Amazonastur, nas secretarias municipais de turismo e diretamente com os empreendimentos responsáveis por cada experiência. Para conhecer iniciativas de pesquisa e inovação relacionadas ao ecoturismo, o visitante pode consultar a Fapeam. A Embratur também reúne materiais de promoção de destinos brasileiros e roteiros selecionados.

Antes de fechar a viagem, compare as informações de diferentes canais e confirme os dados próximos à data do embarque. Preços, horários, níveis dos rios, acesso por estrada, disponibilidade de hospedagem e regras de visitação podem mudar. A melhor estratégia é reservar com antecedência quando necessário, mas evitar pagamentos sem contrato, recibo ou descrição clara do serviço.

O que esperar dos novos roteiros turísticos no Amazonas

A expansão dos roteiros tende a aproximar o visitante de experiências mais específicas e menos concentradas nos destinos tradicionais. Para as comunidades, pode representar uma fonte complementar de renda e uma oportunidade de valorizar conhecimentos, alimentos, artesanato e paisagens locais.

O avanço, porém, depende de planejamento contínuo. Infraestrutura, transporte, formação profissional, segurança, comunicação e preservação ambiental precisam acompanhar a divulgação dos destinos. Para o turista, isso significa pesquisar antes, respeitar os limites de cada local e compreender que a experiência amazônica pode envolver imprevistos e ritmos diferentes dos grandes centros urbanos.

Com esses cuidados, os novos roteiros turísticos no Amazonas podem ser incorporados ao planejamento de viagem de forma mais segura, responsável e alinhada às características de cada comunidade.