quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Durango Duarte

Da paisagem urbana aos conflitos políticos, a trajetória editorial de Durango Duarte

Criado em 2016, o Instituto Durango Duarte organiza jornais, fotografias, vídeos e documentos em livros e pesquisas sobre a formação urbana, cultural, econômica e política do Amazonas.
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A trajetória editorial de Durango Duarte reúne diferentes formas de observar a história de Manaus e do Amazonas. Praças, cinemas, jornais, música, movimentos estudantis, imprensa, economia e formação institucional aparecem em livros, artigos, fotografias, vídeos e documentos organizados pelo Instituto Durango Duarte (IDD).

Criado em 15 de abril de 2016, o instituto é uma associação sem fins lucrativos voltada à preservação de acervos, ao incentivo à produção literária e à circulação de pesquisas sobre a região. A entidade também promove debates, palestras, cursos e reuniões relacionados a questões regionais.

Uma pesquisa iniciada pela paisagem de Manaus

A relação de Durango Duarte com a memória da capital amazonense começou antes da criação do IDD. Em 2009, ele publicou Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico sobre os espaços urbanos da cidade. A obra serviu de base para pesquisas posteriores.

Em 2012, lançou 343 Manaus, publicação dedicada à apresentação visual e turística da capital. O interesse pela transformação da paisagem urbana reapareceu em Praças históricas de Manaus, de 2023.

O livro acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram. Ao registrar configurações e usos que já não podem ser observados nas ruas, a pesquisa recupera parte da experiência urbana de diferentes períodos. A obra também amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado no livro de 2009.

Cinema e música como registros da vida cultural

Os lugares de encontro e as manifestações culturais formam outro eixo da produção do instituto. Publicado em 2017, A Sétima Arte em Manaus aborda a história das salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais na capital.

A música é tema de trabalhos como A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. As publicações ampliam o recorte para atividades e personagens ligados à formação cultural da cidade e do Estado.

Jornais como fonte e objeto de pesquisa

A imprensa ocupa uma posição central no acervo do IDD. Os jornais antigos são utilizados tanto como fonte para reconstituir acontecimentos quanto como objeto de estudos sobre a própria atividade jornalística no Amazonas.

A coleção 50 Anos Hoje organiza, por ano, acontecimentos registrados nos jornais de Manaus. Na edição dedicada a 1970, aparecem episódios como a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

A reunião dessas notícias permite observar, lado a lado, mudanças na estrutura urbana e acontecimentos do cotidiano. Já os livros Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará se concentram em episódios de tensão e controvérsia relacionados aos jornais locais.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, o foco está nas disputas de 1958 e 1959. Nesse período, a publicação oficial do Estado se tornou espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa. O estudo aproxima a história institucional da comunicação e mostra como documentos oficiais também registram conflitos de seu tempo.

Economia, instituições e formação do Amazonas

O catálogo do instituto também percorre a formação econômica e política regional. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia trata do ciclo da borracha e de suas diferentes fases.

Em A Construção da Província do Amazonas, de 2025, a pesquisa examina o período de 1851 a 1859, após a separação do Grão-Pará. O livro aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é analisada em um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, a publicação contou com a participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa. O trabalho acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Memória estudantil e aproximação com a universidade

Parte das pesquisas se relaciona à experiência do próprio Durango Duarte. Nos anos 1980, ele participou do movimento estudantil amazonense, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período voltou a ser tratado em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

O IDD afirma buscar a aproximação com a comunidade acadêmica e o estímulo à produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. A organização de fontes históricas e o lançamento de publicações fazem parte desse esforço.

Acervo reúne livros, jornais e documentos digitalizados

Segundo a entidade, a biblioteca particular de Durango Duarte reúne mais de oito mil obras. O conjunto inclui ainda diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais.

O acervo particular não está disponível para consulta no momento. Os materiais publicados pelo instituto podem ser acessados por meio do portal do IDD.

Ao transformar registros de diferentes épocas em pesquisas e livros, o Instituto Durango Duarte organiza referências sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense. A preservação mantém os documentos, enquanto as publicações os recolocam no debate sobre a formação da região.

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