quinta-feira, 22 de outubro de 2026
SAÚDE

Como se proteger de insetos durante passeios pelo Amazonas

Veja quais cuidados adotar antes, durante e depois de passeios pelo Amazonas para evitar picadas de mosquitos, borrachudos, maruins e outros insetos, além de reconhecer sinais que exigem atendimento de saúde.

Quem faz trilhas, passeios de barco, visitas a comunidades, caminhadas em áreas de mata ou atividades próximas a rios no Amazonas deve adotar medidas de proteção contra insetos. O uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas, calçados fechados, telas e mosquiteiros reduz o contato com mosquitos, borrachudos, maruins, mosquito-palha e outros vetores.

A prevenção é importante porque o Amazonas está em uma área de transmissão de doenças como a malária, cuja ocorrência no Brasil se concentra principalmente na região amazônica. Também existem riscos relacionados a outras enfermidades transmitidas por insetos, como dengue, febre amarela, leishmaniose e algumas arboviroses. A presença de insetos, porém, não significa que toda picada resulte em doença. O risco varia conforme o local, o horário, o ambiente e a circulação de agentes infecciosos.

As orientações do Ministério da Saúde recomendam combinar barreiras físicas e químicas, principalmente em áreas rurais, de mata, próximas a rios e em localidades com transmissão de malária.

Use repelente de forma correta

O repelente deve ser aplicado nas áreas expostas da pele, sempre de acordo com as instruções do rótulo. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária reconhece, entre os principais ativos sintéticos usados em repelentes de pele, o DEET, a icaridina ou picaridina e o IR3535. A escolha do produto deve considerar a faixa etária autorizada, a concentração do ativo, o tempo de proteção informado pelo fabricante e as condições da atividade.

Em passeios longos, é necessário observar quando o produto precisa ser reaplicado. Suor intenso, contato com água, chuva e fricção da roupa podem reduzir a duração da proteção. Não se deve aumentar a quantidade aplicada nem reaplicar o produto em intervalos menores do que os indicados no rótulo.

O repelente não deve ser aplicado sobre olhos, boca, mucosas, pele irritada ou ferimentos. Para crianças, a aplicação deve ser feita ou supervisionada por um adulto, sem passar o produto nas mãos, onde pode haver contato com a boca ou os olhos. Crianças menores de 2 anos não devem usar repelentes sem orientação médica, conforme orientações oficiais reunidas em materiais do Ministério da Saúde.

Gestantes e pessoas com alergias ou doenças de pele devem seguir o rótulo e, em caso de dúvida, buscar orientação profissional. Produtos sem registro, fórmulas manipuladas sem indicação adequada, velas, incensos ou produtos anunciados como repelentes ambientais não substituem o repelente de pele aprovado para esse fim. A Anvisa alerta que produtos com alegações repelentes precisam atender às regras sanitárias aplicáveis.

Prefira roupas que cubram o corpo

Camisas de mangas compridas, calças compridas, meias e sapatos fechados formam uma barreira contra picadas. Em trilhas e áreas de mata, roupas de tecido mais fechado oferecem proteção maior do que peças muito finas ou com tramas abertas.

O Ministério da Saúde recomenda o uso de roupas que protejam pernas e braços durante atividades com maior exposição a mosquitos. Roupas claras também podem facilitar a visualização de insetos e carrapatos, embora não substituam o repelente nem as demais medidas preventivas.

As barras da calça devem permanecer dentro das meias ou dos calçados quando houver risco de contato com vegetação, folhas e solo. Em trajetos de mata fechada, uma camisa leve de manga longa, calça comprida, meia e bota ou tênis fechado são mais adequados do que bermudas, sandálias e regatas.

Depois do passeio, examine a roupa e o corpo. Verifique principalmente tornozelos, pernas, cintura, axilas e áreas de dobra. Em atividades com possibilidade de contato com carrapatos, também é importante conferir roupas, calçados e equipamentos antes de guardá-los.

Observe os horários de maior atividade

O horário do passeio influencia a exposição. Os mosquitos transmissores da malária costumam ter maior atividade do entardecer ao amanhecer, embora possam picar em outros períodos. Por isso, a proteção deve ser reforçada no fim da tarde, durante a noite e nas primeiras horas da manhã.

O Ministério da Saúde orienta viajantes a evitar, quando possível, locais próximos a criadouros naturais, como beiras de rios e lagos, áreas alagadas e coleções de água, principalmente pela manhã e ao entardecer. A recomendação não significa que todo passeio nesses locais deva ser cancelado, mas que a proteção precisa ser mais rigorosa.

Também é prudente confirmar com o guia, a hospedagem ou o serviço local de saúde se há orientação específica para a área visitada. Em determinadas regiões, a presença de mosquitos pode ser maior em função das condições ambientais, da estação do ano, da proximidade da mata e do regime dos rios.

Proteja o local de hospedagem

Ao chegar a uma pousada, barco-hotel, acampamento ou alojamento, verifique se portas e janelas têm telas em boas condições. Em áreas de transmissão de malária, o ideal é dormir em ambientes protegidos por telas, ar-condicionado ou mosquiteiro.

O mosquiteiro deve cobrir completamente a cama ou a rede, sem deixar frestas por onde os insetos possam entrar. Antes de dormir, confira se não há mosquitos dentro da proteção. Quando o mosquiteiro for impregnado com inseticida, siga as orientações de conservação e lavagem do fabricante. Depois de manuseá-lo, lave as mãos e evite tocar os olhos, como recomenda o Ministério da Saúde.

Ventiladores também podem ajudar em ambientes fechados, pois a circulação de ar dificulta o voo de alguns mosquitos. Ainda assim, não substituem telas, mosquiteiros ou repelente quando houver exposição.

Em alojamentos simples, mantenha portas fechadas sempre que possível e evite deixar luzes acesas com janelas abertas. Não elimine telas, mosquiteiros ou outras barreiras apenas porque o ambiente parece limpo: os vetores podem estar presentes mesmo sem acúmulo visível de água.

Tenha atenção a diferentes insetos

Nem todos os insetos oferecem o mesmo tipo de risco. O mosquito Anopheles, conhecido em algumas regiões como mosquito-prego, transmite a malária quando está infectado. O Aedes aegypti pode transmitir dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana em contextos específicos. Já o mosquito-palha está associado à transmissão da leishmaniose tegumentar.

Também podem ocorrer picadas dolorosas de borrachudos, maruins e outros insetos comuns em áreas de mata e próximas a rios. A reação pode variar de uma coceira localizada a um inchaço mais intenso. Evite coçar a região, pois o ato pode provocar feridas e favorecer infecções secundárias.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas recomenda o uso de repelentes, roupas que cubram a maior parte do corpo, telas em portas e janelas e mosquiteiros como medidas para reduzir o contato com o mosquito-palha. Lesões persistentes ou suspeitas na pele devem ser avaliadas em uma unidade de saúde.

Não confie apenas em soluções caseiras

Óleos, plantas, perfumes, fumaça, incensos e receitas caseiras podem não oferecer proteção suficiente contra os insetos. Mesmo quando produzem algum efeito temporário, não há garantia de que impeçam picadas ou reduzam o risco de doenças.

O mais seguro é usar produtos regularizados, observar o modo de aplicação e combinar o repelente com roupas adequadas e barreiras físicas. Repelente não deve ser usado como substituto de telas, mosquiteiros ou roupas compridas, especialmente em atividades prolongadas e em áreas de maior risco.

Também é importante não aplicar inseticidas de ambiente diretamente na pele. Aerossóis, espirais, saneantes e outros produtos têm indicações próprias e devem ser utilizados conforme a embalagem. A aplicação excessiva em quartos, barcos ou barracas pode causar irritação e intoxicação.

Saiba quando procurar atendimento

Febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, náuseas e suor intenso depois de uma viagem ou passeio em área de risco exigem avaliação de saúde. Esses sinais podem ter várias causas, mas são compatíveis com quadros que precisam de investigação, incluindo malária.

A malária pode evoluir para formas graves quando o diagnóstico e o tratamento demoram. O viajante deve informar ao profissional de saúde que esteve no Amazonas, especialmente em área rural, de mata, ribeirinha ou próxima a locais de transmissão. O Ministério da Saúde orienta procurar atendimento diante de sintomas durante a viagem ou até seis meses depois do retorno de uma área de risco.

O tratamento da malária é oferecido pelo Sistema Único de Saúde, mas a medicação depende da espécie do parasita, da idade, do peso, da gestação e da gravidade do quadro. Não é recomendado iniciar remédios por conta própria nem esperar a febre passar.

Lesões na pele que aumentam, não cicatrizam ou permanecem por semanas também precisam de avaliação. No caso de suspeita de leishmaniose, a identificação precoce facilita o cuidado e evita o uso inadequado de pomadas ou medicamentos.

Checklist antes de sair

  • Leve repelente regularizado e confira a faixa etária indicada.
  • Use camisa de manga longa, calça comprida, meias e calçados fechados.
  • Reforce a proteção no entardecer, à noite e ao amanhecer.
  • Verifique se a hospedagem tem telas, mosquiteiro ou outra barreira contra insetos.
  • Examine roupas, calçados e o corpo após trilhas e atividades na mata.
  • Informe ao serviço de saúde qualquer viagem recente ao Amazonas diante de febre ou outros sintomas.

A combinação dessas medidas permite aproveitar passeios pelo Amazonas com mais segurança, sem eliminar a experiência de contato com a floresta e os rios. A prevenção mais eficaz é contínua: começa antes da saída, permanece durante o trajeto e deve ser mantida até depois do retorno, quando sintomas podem surgir.