Nhamundá, no leste do Amazonas, tem o território moldado pela presença dos rios, das florestas e das variações sazonais do nível das águas. O município, situado na divisa com o Pará, reúne praias fluviais, ilhas, formações rochosas, lagos, cachoeiras e áreas de mata que ajudam a explicar a importância do turismo de natureza na região.
A paisagem local se organiza principalmente ao redor do rio Nhamundá, que também dá nome ao município. Durante o período de vazante, trechos de areia branca aparecem nas margens e no leito do rio, formando praias e ilhas temporárias. Na cheia, esses mesmos espaços podem ficar parcial ou totalmente cobertos pela água, em um ciclo que transforma continuamente o cenário.
Mais do que pontos isolados de visitação, os atrativos de Nhamundá fazem parte de um conjunto de ambientes amazônicos associados à pesca, aos deslocamentos fluviais, às atividades comunitárias e às narrativas tradicionais dos povos que vivem na região.
Praia da Liberdade é um dos principais cartões-postais
Entre os atrativos mais conhecidos está a Praia da Liberdade, localizada às margens do rio Nhamundá. O local é descrito pela Prefeitura como uma faixa de areia branca que surge de maneira mais evidente durante a vazante e se integra à rotina de moradores e visitantes.
A praia é utilizada para banho de rio, passeios, atividades recreativas e práticas esportivas. Também recebe eventos do calendário municipal, como festas de fim de ano, comemorações do aniversário da cidade, carnaval e atividades relacionadas à pesca esportiva.
A dinâmica da Praia da Liberdade depende diretamente do regime de cheias e vazantes. Quando o nível do rio sobe, a faixa de areia diminui ou desaparece. Essa característica é comum às praias fluviais amazônicas e faz com que o aspecto do lugar mude ao longo do ano.
O espaço também representa uma das formas pelas quais a população se relaciona com o rio. Em Nhamundá, as margens não funcionam apenas como áreas de lazer, mas também como locais de encontro, circulação e realização de manifestações culturais.
Ponta de Pedras combina praia e formações de arenito
Na zona urbana de Nhamundá, a Ponta de Pedras se destaca pela presença de formações rochosas de arenito erodido. A ação da água e do tempo contribuiu para criar um cenário diferente das extensas faixas de areia encontradas em outros pontos do município.
O local fica às margens do rio Nhamundá e é utilizado para banho, passeios e registros fotográficos. Segundo a descrição oficial do município, a área também apresenta potencial para mergulho e observação de peixes.
A presença das rochas amplia a variedade visual da paisagem urbana. Em vez de uma margem formada exclusivamente por areia, a Ponta de Pedras reúne água, praia e paredões ou blocos de arenito modelados pela erosão, elementos que ajudam a caracterizar o relevo do entorno do rio.
Ilhas revelam a força do ciclo das águas
As ilhas próximas à sede municipal são outro componente importante da paisagem de Nhamundá. A Ilha do Chiquini, localizada na linha que divide os estados do Amazonas e do Pará, é rodeada por praia e pelo rio Nhamundá.
O lugar costuma ser procurado para banho, pesca e mergulho. Como ocorre em outras áreas insulares da Amazônia, o acesso e a configuração das margens variam conforme a altura das águas. A mesma ilha pode apresentar uma faixa de areia mais ampla em um período e ficar parcialmente encoberta em outro.
Essa mudança não é apenas uma característica visual. Ela influencia a navegação, a ocupação temporária das praias, a pesca e as atividades de lazer realizadas pelos moradores. O calendário de visitas, portanto, está ligado ao comportamento natural do rio.
A Ilha do Penteio é um exemplo ainda mais evidente desse processo. Durante a cheia, o local fica submerso. Na época de seca, reaparece no meio do rio Nhamundá, em frente à cidade, com areia branca e formações de arenito erodido.
A ilha temporária sintetiza uma das marcas da paisagem amazônica: a transformação periódica de áreas que desaparecem e ressurgem conforme o pulso dos rios. Por isso, sua presença não é permanente e sua aparência pode mudar de uma temporada para outra.
Serra do Espelho da Lua reúne natureza e tradição
A Serra do Espelho da Lua está entre os atrativos de maior valor simbólico para Nhamundá. Localizada a cerca de 40 minutos da sede municipal, conforme informações da Prefeitura, a área reúne serra, lago, trilhas, praias e ambientes favoráveis à observação de aves e de espécies nativas.
O local também está associado às narrativas sobre as Icamiabas, mulheres guerreiras presentes no imaginário e na história cultural da região. Segundo a tradição divulgada pelo município, a serra teria sido palco de encontros entre guerreiras Icamiabas e indígenas Guaracis.
As histórias ligadas ao lago do Espelho da Lua também se relacionam ao muiraquitã, objeto tradicional associado a povos indígenas da Amazônia. A narrativa local afirma que as pedras e argilas encontradas no fundo do lago estariam relacionadas à produção desses amuletos.
Esses relatos integram a memória cultural de Nhamundá e ajudam a explicar a denominação popular de “Terra das Ykamiabas” atribuída ao município. Ao lado da dimensão simbólica, a Serra do Espelho da Lua apresenta ambientes naturais utilizados para trilhas, contemplação e observação da fauna e da flora.
A combinação entre paisagem e tradição faz com que o local seja apresentado não apenas como um ponto de beleza cênica, mas também como parte das referências culturais que distinguem Nhamundá dentro do Baixo Amazonas.
Cachoeira da Fumaça está em área indígena
O município também possui áreas de cachoeiras no trecho do rio Nhamundá entre as aldeias Riozinho e Kassawá. Uma das mais conhecidas é a Cachoeira da Fumaça, localizada na área indígena do povo Hixkaryana.
A queda d’água é descrita pela Prefeitura como uma das mais impressionantes do rio Nhamundá. O local integra uma região que reúne dezenas de cachoeiras e ambientes de forte presença florestal.
A localização em área indígena reforça a necessidade de que qualquer visita respeite as regras definidas pelas comunidades e pelos órgãos responsáveis. Em territórios tradicionais, o acesso, a circulação e o uso turístico dos espaços dependem de autorização e de condutas compatíveis com a proteção ambiental e cultural.
As cachoeiras do alto rio Nhamundá diferem das praias urbanas e das ilhas próximas à sede. Enquanto as áreas de areia estão ligadas principalmente à dinâmica de cheias e vazantes, as quedas d’água integram trechos de relevo mais acidentado, com corredeiras, pedras e floresta.
Rios, lagos e pesca esportiva
A vocação turística de Nhamundá não se limita ao banho de rio ou à contemplação das praias. A pesca esportiva é uma das atividades de maior visibilidade no município, impulsionada pela presença de diferentes ambientes aquáticos e pela ocorrência de espécies cobiçadas pelos praticantes.
A Prefeitura destaca o tucunaré como uma das espécies de interesse para a atividade, além de peixes de couro encontrados principalmente no alto rio Nhamundá e no Complexo de Lagos do Macuricanã.
O complexo está relacionado à Área de Proteção Ambiental Nhamundá, unidade de conservação que abrange áreas dos municípios de Nhamundá e Parintins, segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. A existência da área protegida evidencia a importância ecológica dos lagos, rios, florestas e ambientes de várzea presentes na região.
A pesca esportiva também possui dimensão cultural. A Festa da Pesca ao Tucunaré integra o calendário de eventos do município e reúne programação associada à atividade. O evento contribui para divulgar Nhamundá como destino de pesca e fortalece a relação entre turismo, identidade local e recursos naturais.
História do município está ligada aos povos originários
A história de Nhamundá remonta às populações indígenas que ocupavam a região antes da formação administrativa do município. A Prefeitura cita povos como os tcháwhiyána, hixkaryana, sákáka, kamáeyana, chiriwiyána, kumuyána, wari condurizes e jamundás entre os grupos associados às origens locais.
De acordo com a versão histórica publicada pelo município, o nome Nhamundá está relacionado ao tuxaua Jamundá e ao rio que atravessa a região. A narrativa também registra conflitos provocados pela exploração e pelos maus-tratos impostos aos povos indígenas durante o processo de colonização.
A localidade foi elevada à categoria de vila em 1758. Mais tarde, apareceu na divisão administrativa como parte de Parintins. Em dezembro de 1955, ocorreu o desmembramento de Parintins e a criação do município autônomo de Nhamundá. A cidade passou a existir oficialmente em 31 de janeiro de 1956.
Essa trajetória histórica se conecta à paisagem atual. O rio que dá nome ao município continua sendo uma via de circulação e uma referência para as comunidades. As praias, ilhas, lagos e cachoeiras permanecem integrados à vida social e econômica da população.
Natureza como patrimônio e identidade
Em Nhamundá, o turismo de natureza é formado pela combinação entre ambientes aquáticos, floresta, tradições indígenas e eventos comunitários. A Praia da Liberdade representa a convivência cotidiana com o rio; a Ponta de Pedras evidencia a ação da erosão sobre o arenito; as ilhas revelam o movimento das águas; a Serra do Espelho da Lua reúne paisagem e memória; e as cachoeiras ampliam a diversidade natural do município.
Esse conjunto também demonstra que as praias do Amazonas possuem características próprias. Não se trata de litoral, mas de praias fluviais que surgem, diminuem e desaparecem de acordo com o ciclo dos rios. O período de seca pode revelar grandes bancos de areia, enquanto a cheia amplia a presença da água e modifica os acessos.
A valorização desses lugares depende da conservação ambiental, do respeito às comunidades tradicionais e do planejamento das atividades turísticas. Em áreas de floresta, rios e territórios indígenas, a visitação precisa considerar as condições locais, as regras de acesso e os impactos sobre a fauna, a flora e os modos de vida.
Nhamundá reúne, assim, uma paisagem em permanente transformação. Suas praias e ilhas não são elementos fixos, mas partes de um território marcado pelo ritmo do rio. É justamente essa combinação entre natureza, história e cultura que torna o município uma referência do turismo de paisagens naturais no Amazonas.
Fontes: informações da Prefeitura de Nhamundá sobre os atrativos turísticos; dados históricos da história oficial do município; informações sobre turismo e pesca esportiva na página de turismo de Nhamundá; e dados da Secretaria de Estado do Meio Ambiente sobre a APA Nhamundá.








