A realização de testes rápidos no início da gravidez orientou o acompanhamento pré-natal de Sayuri Itou, de 23 anos, em Manaus. A instrumentadora cirúrgica descobriu a gestação em uma quinta-feira e, na segunda-feira seguinte, procurou uma unidade de saúde com o marido para fazer exames de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e iniciar o atendimento.
Os primeiros resultados foram negativos para as ISTs avaliadas. Sayuri passou a ser acompanhada na Unidade de Saúde da Família (USF) Benedito Almeida, na zona Sul da capital. O caso foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) durante as ações do Outubro Verde, campanha realizada pela Prefeitura de Manaus em 2026.
Testagem disponível na rede
Segundo a Semsa, o teste rápido para sífilis está disponível em todas as unidades de saúde da rede municipal. O procedimento utiliza uma gota de sangue e tem resultado liberado, em média, em 30 minutos. A secretaria recomenda que pessoas com vida sexual ativa façam ao menos uma testagem anual para ISTs.
Para mulheres que desejam engravidar ou já estão grávidas, a orientação é procurar o serviço de saúde o mais cedo possível. O pré-natal é apresentado pela secretaria como o momento para verificar a saúde da gestante e do bebê, identificar a infecção e iniciar o tratamento quando necessário.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida em relações sexuais sem preservativo. Os sinais variam conforme a fase da infecção e podem incluir feridas na boca ou nos órgãos genitais e manchas na pele. A Semsa alerta que o desaparecimento desses sintomas não significa que a bactéria tenha sido eliminada do organismo.
Três exames durante a gestação
Além do atendimento inicial, a rede municipal passou a orientar três testagens para sífilis ao longo da gravidez. Uma nota informativa emitida em março de 2026 pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical recomendou a inclusão de um exame no segundo trimestre, além das avaliações do primeiro e do último trimestre previstas pelo Ministério da Saúde.
De acordo com Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível e Hepatites Virais da Semsa, o exame adicional pode identificar infecções recentes que não foram detectadas no primeiro teste por causa da janela imunológica. Também pode apontar novas infecções adquiridas durante a gestação e reinfecções relacionadas à falta de tratamento das parcerias sexuais.
A transmissão vertical ocorre quando a bactéria passa da gestante para a criança. Conforme a Semsa, a exposição pode acontecer durante o parto, mas ocorre principalmente no ambiente intrauterino, ao longo da gravidez.
Tratamento exige continuidade
Na maioria dos casos em adultos, o tratamento informado pela secretaria prevê três doses de penicilina, aplicadas com intervalo de sete dias. Quando o intervalo chega a sete ou nove dias, o esquema precisa ser reiniciado. A Semsa relaciona a interrupção do tratamento ao medo da dor, ao preconceito e à interpretação de que o desaparecimento dos sintomas representa a cura.
A secretaria afirma que realiza busca ativa e ações de orientação para tentar localizar pacientes que não concluíram as aplicações. O tratamento das parcerias sexuais também é destacado como medida para evitar novas exposições e reinfecções durante a gestação.
Na divulgação da Prefeitura de Manaus, não foram apresentados prazos para a conclusão das ações de busca ativa nem resultados específicos dessa estratégia. Também não foram detalhados dados sobre a quantidade de gestantes diagnosticadas e tratadas pela rede municipal dentro da campanha.
Dados de notificações
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, citados pela Semsa, indicam média de 208 notificações mensais de sífilis em gestantes em 2026. Em 2025, a média informada era de 198 casos por mês, alta de 5,1%.
Entre os casos de sífilis congênita, a média mensal passou de 24 registros em 2025 para 33 em 2026, aumento informado de 37,5%. A Prefeitura associa a estratégia do Outubro Verde à detecção precoce, ao início do tratamento e ao acompanhamento das gestantes na rede municipal.
Durante o acompanhamento, Sayuri relatou que recebeu orientações dos profissionais da USF Benedito Almeida e tomou as vacinas recomendadas para a 21ª semana de gestação. Ela também citou um caso de sífilis na família e afirmou que o tratamento completo realizado pela sogra evitou a transmissão ao filho.
Fonte: Prefeitura de Manaus.
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus








